Há 12 anos, o Dia da Luta Antimanicomial (18/05) é comemorado com um desfile carnavalesco nas ruas do centro de Belo Horizonte. Os preparativos para a festa começaram no último sábado (18/04) quando ocorreu o “V Concurso de Samba de Enredo para o 18 de Maio”. Na oportunidade foram escolhidos a madrinha da bateria, a princesa, e o samba que vai animar a festa. Todos as concorrentes à madrinha da bateria eram usuárias de serviços de saúde mental, assim como os compositores das 17 canções enredo em disputa.
Juliano da Silva, usuário do Centro de Convivência Arthur Bispo do Rosário, concorreu com o samba “Daltônico da alma”. Para ele, esta é uma oportunidade muito importante de integração dos portadores de sofrimento mental com a sociedade para acabar com o preconceito. Juliano deixa um recado para a comunidade: “Somos todos iguais e estamos no mesmo barco”.
No concurso desse ano houve empate técnico na escolha da madrinha da bateria, as duas vencedoras foram Maria Auxiliadora Pena e Alice Castro. O samba de enredo escolhido para animar o desfile no dia 18 de maio é “Reexistir é Viver”, de autoria de usuários do Centro de Convivência César Campos de Belo Horizonte. O evento tem organização da ONG Fórum Mineiro de Saúde Mental e da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental(ASUSSAM), com apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A Tesoureira da ASUSSAM, Sílvia Soares, relata que a escolha do carnaval como tema foi definida por se tratar de “uma festa genuinamente brasileira e onde fantasiados nós nos disfarçamos de nós mesmos. É um espaço onde os loucos e não loucos se misturam. Essa é a melhor maneira de trabalharmos a inclusão social”, finaliza.
Luta Antimanicomial
A escolha do dia 18 de maio para marcar as comemorações da Luta Antimanicomial se deve à realização de um congresso nacional de trabalhadores de saúde mental de todo País, em dezembro de 1987, no município de Bauru, em São Paulo. Ficou decidido que nesta data, os profissionais de saúde mental deveriam ir às ruas, praças, universidades, instituições de saúde para debater com a sociedade, de um modo geral, o mito de que o louco é incapaz e perigoso, e ainda mostrar que é possível tratar os pacientes de maneira diferente com humanização, qualidade, respeitando-os como sujeitos de cidadania.
A partir da década 70, trabalhadores de saúde mental denunciaram as condições subumanas à que estavam submetidos os portadores de transtornos mentais. Desde então, o poder público iniciou a construção de uma política pública de humanização desospitalização e desinstitucionalização, com garantia dos direitos dessa população.
Em Minas, a Reforma Psiquiátrica é uma realidade. A rede assistencial de saúde mental conta hoje com 134 Serviços substitutivos (CAPS ou Cersams), 71 Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), 20 Centros de Convivência, aproximadamente 300 Equipes de Saúde Mental na atenção básica.
Fonte: Agência Minas
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